Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011
Saiba qual é o melhor banco para fazer um crédito pessoal

O Diário Económico dá-lhe a conhecer as melhores ofertas para seis perfis diferentes.

Difícil e caro. É desta forma que se pode caracterizar o acesso ao crédito pessoal na actual conjuntura. As dificuldades de acesso a financiamento da banca levaram as instituições a apertarem os critérios para a concessão de crédito à habitação, um aperto que é ainda mais notório no crédito ao consumo. Além de ser raro, o crédito pessoal é também caro. Isso mesmo é possível verificar numa análise feita pelo Diário Económico com base no simulador da Deco Proteste e que foi actualizado em Janeiro deste ano. Foram analisados seis diferentes perfis de clientes e as condições praticadas, sempre que possível, em 18 bancos a operar em Portugal para cada um dos casos. Os resultados destas simulações mostram que existem grandes assimetrias entre as condições apresentadas. De tal forma que, em quatro dos seis cenários simulados, optar pelo banco que oferece a TAEG mais baixa em detrimento da instituição com a TAEG mais elevada pode levar os consumidores a uma poupança superior a 1.200 euros nos encargos totais com o crédito pessoal. Nos casos simulados, os bancos espanhóis Caja Duero, Caixa Galicia e os portugueses Montepio Geral e ActivoBank foram as instituições que, regra geral, apresentavam as melhores condições.

É ao nível das TAEG (taxa anual efectiva global) que se notam grandes diferenças. Através das simulações é possível ver que estas taxas podem oscilar entre os 9,7% e os 30,8%- um valor que supera largamente o limite máximo previsto pelo Banco de Portugal para os créditos pessoais sem finalidade específica (19,6%). A TAEG é a taxa para a qual os consumidores devem prestar mais atenção, já que ela inclui além da taxa de juro anual nominal (TAN) todos os encargos associados ao empréstimo, como é o caso dos seguros e das comissões de abertura de processo. Recorde-se que não é garantido que um banco que lhe ofereça uma TAN baixa seja a instituição onde os encargos totais do crédito são mais baratos.

Mais uma vez, as simulações comprovam esta realidade. Se tivermos em conta o exemplo de um consumidor que precisa de obter 25.000 euros de financiamento de crédito pessoal a pagar em três anos, o Deutsche Bank e o Santander Totta apresentam, segundo o simulador da Deco, TAN muito semelhantes: 14% e 14,5%, respectivamente. No entanto, ao analisarmos as TAEG de cada uma das propostas, as diferenças expandem-se. Enquanto que o Deutsche Bank apresenta uma TAEG de 16,2%, no caso do Santander Totta, o valor sobe para os 19,8%. Para este dado contribui o facto do Santander Totta, apresentar comissões de estudo e/ou abertura de processo mais elevadas em relação ao Deutsche Bank.

E neste campo também existem diferenças assinaláveis. Enquanto alguns bancos não cobram comissões de abertura de processo- como é o caso do Activobank, Best e do BES- em outros casos, estas comissões podem chegar a superar os 800 euros, quando estão em causa empréstimos de montantes mais elevados. "Estas comissões nem sempre são fixas. Há bancos que cobram uma percentagem sobre o montante do empréstimo. Portanto, quanto maior for o valor do crédito, maior serão as comissões de abertura", explica Vinay Pranjivan, economista da Deco.

Apesar das simulações efectuadas, é importante ressalvar que tal não significa que o crédito seja aprovado exactamente nestas condições. Apesar dos critérios que os bancos definem nos seus preçários, a realidade mostra que os bancos estão a conceder menos crédito pessoal. Os números do Banco de Portugal mostram que no ano passado o montante total de crédito ao consumo encolheu até Novembro, cerca de 283 milhões de euros. Trata-se da maior queda desde 2002. "Numa altura em que se torna cada vez mais difícil ter acesso ao crédito à habitação, é natural que os bancos restrinjam ainda mais a concessão de crédito pessoal", explica Vinay Pranjivan. Ao contrário do que acontece com o crédito à habitação, em que se o cliente ficar numa situação de incumprimento o banco tem a garantia da casa, o crédito pessoal não tem essa garantia e, como tal, representam um risco maior para as instituições financeiras.

Esta opinião é corroborada pela consultora financeira FlexiSolutions. Luis Sousa, responsável da empresa, afirma: "Antes da crise, cerca de 80% dos créditos pessoais que propúnhamos à banca eram aprovados. Agora é o contrário. O normal é haver uma aprovação de apenas 30% das propostas de crédito pessoal" . Tanto Luís de Sousa como Vinay Pranjivan confirmam que as exigências dos bancos para com os clientes que pedem crédito pessoal aumentaram bastante. Além de pedirem a subscrição de um seguro de vida e/ou um seguro de protecção de crédito, as instituições exigem sempre a assinatura de uma livrança- ou seja, a garantia que o banco pode accionar no caso de incumprimento do cliente.


Pagar o empréstimo no curto ou no médio prazo?

1 - 12 meses
Para quem precisa de um crédito pessoal no valor de 3.000 euros a pagar em 12 meses, a melhor solução pertence ao espanhol Caja Duero, segundo o simulador da Deco. O custo total deste empréstimo é de 3.163 euros. Já se optar pela opção mais cara, os encargos totais sobem para os 3.404 euros.

2 - 48 meses
Se fizer um empréstimo de 3.000 euros mas optar por pagá-lo em quatro anos, os encargos totais com juros sobem . A melhor solução continua a pertencer à Caja Duero ao prever uma TAEG de 9,7% . Os encargos totais neste empréstimo situam-se nos 3.568 euros. Mas se optar pela solução mais cara, os encargos disparam para os 4.745 euros. Ou seja, ao optar pela melhor solução poupará 1.117 euros.


Pedir montantes reduzidos ou elevados?

2 - 1.500 euros
Ao pedir um crédito pessoal no valor de 1.500 euros e optar por pagá-lo em três anos, tem a vantagem de que as comissões de abertura de processo são reduzidas. Ao optar pela melhor solução em detrimento da proposta do banco mais caro consegue poupar 670,08 euros ao longo da vida do empréstimo.

3 - 25.000 euros
Ao pedir montantes elevados estará sujeito a comissões de abertura também mais altas, uma vez que muitos bancos cobram uma comissão em percentagem do montante concedido. Há bancos que não cobram comissões, mas há quem cobre 800 euros. Neste caso, se optar pela melhor solução em detrimento da mais cara pode poupar mais de seis mil euros .


Devo ou não subscrever produtos do banco?

4 - Sem subscrever produtos
Ao pedir um empréstimo de 5.000 euros a pagar em 36 meses e se não subscrever nenhum produto, os espanhóis Caja Duero e Caixa Galicia têm as melhores soluções, seguidos pelo Montepio e CGD. Se optar pela melhor solução os encargos totais do crédito situar-se-ão nos 5.719 euros.

5 - Subscrever quatro produtos
Se fizesse o mesmo crédito ( no valor de 5.000 euros) mas estivesse disposto a subscrever quatro produtos/serviços conseguiria baixar a prestação, ainda que para o caso simulado a poupança não fosse muito significativa. A prestação média cairia dos 173,5 euros para os 168,9 euros.


Dicas para contratar um crédito pessoal

- Os especialistas aconselham sempre os consumidores a avaliarem bem os encargos que vão ter ao subscreverem um crédito pessoal, para que a taxa de esforço do orçamento familiar não ultrapasse os 30% a 40%.

- Vinay Pranjivan da Deco recomenda ainda aos consumidores que consultem as condições praticadas no maior número possível de bancos, para poder ver quem é que pratica as taxas mais baixas do mercado.

- O indicador que deve servir de comparação entre as ofertas dos vários bancos é a TAEG, dado que esta taxa inclui todos os encargos associados ao crédito, incluindo seguros e comissões.

fonte:economico.sapo



publicado por adm às 23:20
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