Domingo, 17 de Outubro de 2010
Banca aposta em créditos exóticos para casamentos e Porsches

Os bancos continuam a apostar em campanhas de financiamento exóticas para comprar jóias, carros, pagar festas de casamento ou operações estéticas.

A crise financeira está a obrigar os bancos a serem mais selectivos na concessão de crédito. Os critérios de concessão são hoje mais rígidos e o custo é mais elevado - um facto que se reflecte na subida dos ‘spreads'. No entanto, a crise não minou a criatividade das instituições financeiras em Portugal. Visitando os sites dos principais bancos a operar no país (e também das principais sociedades financeiras de aquisição a crédito) é possível ver que a torneira do crédito não só não está fechada, como está aberta para financiar a aquisição de bens mais excêntricos, como Porsches, jóias, canetas de marca, máquinas fotográficas, operações plásticas ou mesmo festas de casamento.

Estes são apenas alguns exemplos de linhas de financiamento mais específicas que as instituições têm neste momento disponíveis e que funcionam à parte da oferta tradicional do crédito pessoal. O BPI, por exemplo, é um dos bancos que disponibiliza mais linhas de crédito ao consumo específicas. O banco liderado por Fernando Ulrich tem linhas de financiamento para comprar o enxoval de casa - serviços da Vista Alegre ou faqueiros da Cutipol, são apenas alguns exemplo - com TAEG entre os 7% e os 17%. Além disso, o banco disponibiliza um outro financiamento para a compra de produtos da Montblanc, cujas taxas de juro (TAEG) oscilam os 8% e os 9%. Mas há mais. Nesta instituição é possível ter crédito para comprar relógios Gucci, máquinas de fotografar Cannon, ou mesmo um Porsche.

Fonte do banco liderado refere que estas campanhas de crédito surgem pelas parcerias estabelecidas com as marcas. E explica a razão desta aposta: "As marcas, ao associarem-se ao banco têm acesso a uma base de clientes potenciais muito grande, além disso têm menos custos de distribuição. Como tal, apresentam-nos os produtos e serviços com condições mais favoráveis. E os bancos podem partilhar com os clientes essas condições mais vantajosas", refere a mesma fonte. E a adianta: "Há normalmente uma vantagem para o cliente. Porque se as pessoas virem que o mesmo produto está à venda na loja por um preço melhor, fogem". Os benefícios podem não ficar por aqui.

Algumas marcas "mimam" os clientes que recorrem a estas linhas de financiamento dos bancos com alguns extras. Por exemplo, com a oferta de um GPS no crédito automóvel. Outro ponto que pode jogar a favor dos clientes tem a ver com o facto de as taxas de juro praticadas nestas linhas de financiamento específicas poderem ser mais vantajosas face às taxas do crédito pessoal geral. Por exemplo, a Caixa Geral de Depósitos tem uma linha de financiamento destinada a pagar tratamentos de medicina dentária e cirurgias estéticas. Quem recorrer a este crédito para fazer uma operação plástica estará sujeito a uma TAEG de 5,3% (segundo o caso apresentado no preçário do banco). Trata-se de uma taxa bem diferente face à TAEG de 14,5% praticada na mesma instituição para o crédito pessoal geral.

Para os bancos, estas parcerias são também interessantes porque significa mais crédito vendido. Além disso, as marcas costumam estabelecer parcerias com uma única instituição.

Mas o BPI e a CGD não são as únicas instituições que têm ofertas de crédito para fins mais exuberantes. À semelhança do BPI que financia a compra de jóias, também o BES dispõe de uma linha para esse efeito, numa parceria com a casa Leitão & Irmão. Se adquirir uma das peças de ouro e diamantes do catálogo pode pagar o crédito até a um prazo de 84 meses, com taxas de juro (TAEG) que variam entre os 8% e os 9%. Mas não são apenas os bancos que apostam nestes financiamentos mais exóticos. As empresas financeiras de aquisição a crédito também têm ofertas desta natureza. O Cetelem, por exemplo, empresta dinheiro para a realização de casamentos. Assim, um pedido de 10.000 euros para pagar uma boda em 60 meses, resulta numa prestação de 244 euros e numa TAEG de 16,29%. Contas feitas, chegará o final do empréstimo e entre juros e despesas pagará 4.202 euros. Mas além de olhar para as taxas de juro e para o valor das prestações, os consumidores devem prestar também atenção às despesas de abertura de dossier e outras comissões associadas ao crédito pessoal e que o poderão encarecer.


Três conselhos para evitar ver o seu orçamento a ser afundado:

À primeira vista pode não parecer, mas ‘recessão' rima com ‘ginástica'. Para muitas famílias a actual crise financeira obriga a cuidados redobrados na gestão do seu orçamento, levando a que o dinheiro disponível seja muitas vezes "esticado" para que sejam cumpridos todos os compromissos financeiros. Por isso mesmo, antes de subscrever um crédito pessoal deve ter em conta alguns conselhos.

1. Olhe para as taxas e compare: Não aceitar a primeira oferta de crédito que encontrar no mercado é a regra número um. Compare as condições oferecidas em várias instituições e use como referência de comparação a TAEG. A taxa anual efectiva global traduz o custo total do crédito. E para fazer esta comparação nem tem de sair de casa. Desde o início do ano que os bancos e instituições de crédito são obrigados a publicar nos seus sites os preçários, divulgando as taxas de juro praticadas nos seus financiamentos. Desta forma é mais fácil a comparação de condições. Utilize os sites também para fazer simulações.

2. Faça uma avaliação do seu orçamento: Antes de fazer um crédito ao consumo, seja para comprar algo mais excêntrico como um Porsche ou para adquirir um electrodoméstico, faça um ‘check up' ao seu orçamento para avaliar se poderá suportar (ou não) mais um encargo. Os especialistas referem que os encargos com empréstimos não devem pesar mais de 40% do orçamento familiar.

3. Quanto mais prolongado for o empréstimo mais encargos terá. Outro ponto a ter em conta é que quanto maior for o tempo de pagamento do empréstimo, mais encargos terá de suportar, apesar da prestação mensal ser mais reduzida. Por exemplo, se fizer um crédito ao consumo no valor de cinco mil euros a pagar em 36 meses, chegará ao final do prazo e o encargo total será de 6.354 euros. Já se fizer o mesmo crédito para um prazo de 72 meses, no final suportará um encargo total de 7.684 euros. Ou seja, pagará em juros mais de 50% do valor que pediu.


Quatro créditos diferentes

Porsche
Um carro especial exige uma linha de financiamento à altura. Foi isto que pensou o BPI. Os fãs da marca que adquirirem uma ‘bomba' através da campanha do BPI terão direito a um extra: um curso de condução desportiva (Porsche Driving Xperience'10) no circuito do Autódromo do Estoril. A campanha está disponível até 31 de Outubro. Para um exemplo de financiamento de um Porsche Boxster em regime de ALD, o banco prevê uma TAEG de 3,4%, que se reflecte numa prestação de 730 euros a pagar em 60 meses, supondo uma entrada inicial de 16.200 euros e um valor residual de 9.700 euros.

 

Jóias
Comprar jóias a crédito não é uma possibilidade tão bizarra como pode parecer à primeira vista. Tanto o BES como o BPI disponibilizam linhas de financiamento especialmente direccionadas para esse efeito. No caso do BES, por exemplo, o banco tem um crédito destinado ao financiamento de uma linha de jóias específica: a colecção Fancy da Casa Leitão & Irmão. A colecção é composta por três peças de ouro e diamantes que podem ser adquiridas separadamente (anel, pendente e brincos). O prazo de financiamento oscila entre os 72 e os 84 meses, pressupõe uma entrada inicial e as TAEG aplicadas variam entre os 8,8% e os 9,1%. Contas feitas, estas taxas traduzem-se numa prestação mensal que oscila entre os 75 e os 95 euros.

 

Casamentos
Quer casar mas não tem dinheiro? As empresas de crédito ao consumo podem ajudar a resolver este problema. A Cetelem, por exemplo, disponibiliza uma linha de financiamento específica para quem precisa de dinheiro para realizar festas de casamento ou baptizados. Assim, para um exemplo de um empréstimo de 10.000 euros a pagar em 36 meses resultará no pagamento de uma prestação mensal de 349,43 euros e numa TAEG de 17%.

Cirurgias
Não é só nos Estados Unidos ou no Brasil que a moda das cirurgias plásticas pegou. Também em Portugal este mercado está em crescimento. Conscientes dessa realidade, algumas instituições concedem financiamento para este efeito. É o caso da CGD que tem a linha de crédito pessoal "para necessidades clínicas de Medicina Dentária e de Cirurgia Estética, Plástica e Reconstrutiva". Com um montante mínimo 5.000 euros de financiamento, esta linha permite pagar o empréstimo em prazos que variam entre os 24 e os 60 meses. Para um exemplo de uma cirurgia no valor de 25 mil euros, que seja feita nos hospitais do grupo CGD (HPP Saúde), a pagar em 60 meses, o valor da prestação será de 463,76 euros, o que corresponde uma TAEG de 5,3%.

fonte:economico



publicado por adm às 22:11
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Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010
Conheça os bancos com o crédito pessoal mais barato

Ao fazer um crédito pessoal habilita-se a pagar juros entre 10,739% e 17,8%. As soluções mais baratas permitem poupar até mil euros.

Recorrer ao crédito pessoal tornou-se um hábito para muitos portugueses. Uma evolução que em grande medida se justifica pelo crescente apelo consumista ou de satisfação de sonhos como a compra de carro, computador ou a realização de uma viagem. Mas face às dificuldades financeiras que muitas famílias enfrentam, nomeadamente situações de desemprego, o recurso ao crédito pessoal passou a ser um mal necessário para satisfazer por vezes simples despesas do dia-a-dia. A principal consequência desta opção em muitos casos é a entrada em situações de espiral de incumprimento.

Os últimos dados do Banco de Portugal comprovam essa tendência. O peso do malparado no segmento do crédito ao consumo atingiu em Abril 7,29%, o que corresponde ao valor mais alto desde que há registo histórico (Dezembro de 1997). Por isso mesmo, o recurso a este tipo de crédito deve ser sempre uma opção bem ponderada. Não sendo possível evitá-la, no entanto há sempre a possibilidade de procurar a solução mais económica.

Foi neste sentido que o Diário Económico fez uma corrida aos bancos em busca dos créditos pessoais que oferecessem as melhores taxas. O resultado foi que as soluções mais baratas permitem poupanças entre 425 euros e 1.117 euros face às mais dispendiosas. Em relação às taxas de juro apresentadas, estas vão desde uma TAEG (Taxa Anual Efectiva Global) mínima de 10,739% ao máximo de 17,8%.

Para este trabalho, o Diário Económico consultou os sites e as linhas de apoio ao cliente de oito instituições bancárias. A saber: CGD, BES, BPI, Montepio Geral, Banif, Crédito Agrícola, Barclays e Banco Popular. O cenário considerado foi o pedido de um empréstimo de 5.000 euros, assumindo dois prazos diferentes para a sua liquidação: 24 meses e 60 meses. A consideração destas duas situações teve como objectivo mostrar o impacto, sobre os encargos totais, de estender o empréstimo por um prazo mais alargado. Em qualquer dos casos, foi no Crédito Agrícola que se encontraram as taxas de juro e as prestações mais baixas. Recorrer a um empréstimo de 5.000 euros por um prazo de 24 meses nesta instituição, implicaria pagar uma prestação mensal de 227,85 euros, a que corresponde uma TAEG de 11,69%. No caso do prazo ser alargado para 60 meses, a solução do Crédito Agrícola é também a menos dispendiosa. A prestação mensal passa a ser de 103,19 euros.

Um alívio mensal mas que acaba por resultar numa solução final mais dispendiosa. Ao estender o prazo para 60 meses, o cliente acaba por pagar mais 723 euros em encargos totais com o empréstimo. A Deco desaconselha, aliás, que a contratação de um crédito pessoal seja feita por prazos superiores a 36 meses e que não sejam excedidos os 25 mil euros. Para valores superiores, a associação de defesa recomenda privilegiar outras opções de financiamento.

Um dado curioso que resultou da ronda pelos bancos foi o facto de, quer no Millennium BCP quer no Santander, que também foram analisados neste trabalho, face ao cenário apresentado não conseguiram apresentar uma proposta de crédito. O mesmo se passou no Barclays na simulação para um prazo de 24 meses. Isto porque as taxas de juro que seriam aplicadas ultrapassariam o limite máximo imposto pelo Banco de Portugal para este tipo de crédito ao consumo.

Desde Janeiro, que o banco central português passou a impor trimestralmente um tecto máximo para as taxas de juro a cobrar pelas instituições de crédito no crédito ao consumo. Na última revisão efectuada pelo BdP, e que vigorará durante o terceiro trimestre, quem for a um banco em busca de um crédito pessoal entre Julho e Setembro, não poderá pagar uma TAEG (Taxa Anual Efectiva Global), superior a 18,8%. Ou seja, 0,01 pontos percentuais abaixo do limite máximo em vigor nos contratos celebrados no actual trimestre. Valores que poderão indiciar que no próximo trimestre, os bancos possam aligeirar um pouco as condições para a concessão de crédito pessoal.

fonte:economico



publicado por adm às 21:31
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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010
Crédito malparado ao nível mais alto desde 1998

Segundo dados do Banco de Portugal, o crédito malparado sobre o total de empréstimos concedidos em Agosto era de 2,93 por cento, o nível mais alto desde Junho de 1998.

Até ao final de Agosto, o valor total de créditos concedidos por bancos e instituições financeiras era de 140,7 mil milhões de euros. Já o crédito de cobrança duvidosa ascendia aos 4,1 mil milhões.

No crédito malparado, o crédito à habitação contabiliza 1,96 mil milhões de euros, num total de 112,8 mil milhões emprestados. O mal parado no crédito ao consumo fixou-se nos 15,5 mil milhões, mais 1,2 mil milhões de euros do que em Julho.

fonte:http://www.abola.pt



publicado por adm às 23:36
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